Star Wars: Rogue One (2016)- Crítica

Avaliação: 4.5 Stars (4.5 / 5)

Não são poucos que consideram o universo de Star Wars como algo sagrado. Desde o filme icônico de 1977, sua mitologia tem se expandido não apenas nas telas, como na literatura, nas animações e nos games. E desde que a franquia saiu das mãos de seu criador, George Lucas, muitos filmes foram programados para os próximos anos. E Rogue One talvez seja o mais surpreendente de todos, não apenas pela sua alta qualidade, mas sim pela sua coragem em não repetir o tom aventuresco de toda  a saga, projetando-se muito mais como um filme de guerra e e roubo/infiltração.

Stars Wars: Rogue One conta a história de um grupo de rebeldes em busca dos planos estruturais da estrela da morte, com o objetivo de encontrar uma falha deixada lá de propósito por um engenheiro da aliança.

Como trata-se de um filme que posiciona-se cronologicamente logo atrás de Uma Nova Esperança (1977), é necessário que o espectador ao menos conheça esse filma para um maior entendimento da história e do contexto. Claro que se alguém que nunca assistiu algum filme da saga iniciar essa experiência por Rogue One, conseguirá acompanhar a narrativa sem grandes problemas. Entretanto, conhecer os outros filmes dá ao espectador um estofo maior no que diz respeito à entendo de universo e motivações dos personagens.

Aliás, personagens esses que muita gente anda reclamando da falta de carisma para com o público. E gostaria de defender tal falta de apego com o argumento de que isso é proposital. Tais personagens não foram feitos para que o público se importe com eles, apesar disso acontecer  com bastante intensidade no ato final. O mais importante durante a narrativa de Rogue One é sempre o cumprimento da missão, custe o que custar. E os dois primeiros atos preparam bem o terreno para o desfecho climático.

Como falei no início, Rogue One pode ser genuinamente colocado lado a lado com qualquer filme de guerra. Mesmo que ambientando dentro de um universo fictício que tenha suas (estranhas e fantasiosas) particularidades, o peso, o tom e a forma como as peças vão se encaixando para a grande sequência de ação final faz jus aos grandes clássicos do gênero. E inteligentemente ele ainda concerta o que era considerado algo bizarro no primeiro filme da saga, a questão de como uma arma tão poderosa e aparentemente perfeita tenha sido construída com uma falha que a destruiria completamente apenas com um tiro no lugar certo.

E chegando ao seu ato final, o diretor Gareth Edwards constrói talvez a sequência de ação mais impressionante do ano, desbancando a do aeroporto em Capitão América: Guerra Civil. O homem por trás de Godzilla (2014), já mostrava que conseguia orquestrar ação em vários núcleos simultaneamente, mas em Rogue One ele aprimorou isso de forma bastante eficaz,formando uma estrutura que poderia muito bem ser das partidas online do game Star Wars: Battlefront. Ao tempo que a ação espacial ocorre, a missão de infiltração se estabelece em três pontos: com Jyn e Cassian infiltrando-se na base do império após conseguirem derrotar guardas sorrateiramente e vestirem suas roupas (com influência no game Hitman); o restante do grupo espalha-se na ilha para combater os Stormtroopers; e Bodhi Rook aguarda na nave para a extração e transferimento dos dados da estrela da morte.

Outro mérito do diretor é manter uma organização na mise-en-scène, pois com ação acontecendo em vários segmentos e em espaços muito grandes, é fácil se perder ou fazer com que o espectador não tenha a dimensão de escala nos momentos dos combates. E com um final bastante emocionante para os personagens, o peso e as consequências são eficientemente mostrados no ato final, com praticamente todos os personagens cometendo atos de puro altruísmo apenas para conseguirem o cumprimento da missão. E ainda há tempo para algumas aparições cirúrgicas de Darth Vader, mostrando algumas coisas que até então inéditas, como no final onde o mesmo luta com o sabre de luz contra guerreiros normais, algo que até então não havia sido mostrado na saga.

É inegável o quão bem Rogue One faz ao filme original de 77, já que apesar de dar mais sentido à tudo que vemos no filme original, ainda nos enche de emoção saber que o sacrífico coletivo de Jyn e sua equipe foi crucial para os eventos que sucederam a maior batalha que o universo de Stars Wars já proporcionou. Que venham mais filmes derivados, queremos outro para mês que vem!!!

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