Westworld: 1º Temporada- Crítica

Avaliação: 5 Stars (5 / 5)

A HBO nos últimos anos tem apostado em produções grandiosas em sua grade de exibição. Mesmo que Game Of Thrones seja o carro chefe da emissora, outros ambiciosos projetos como True Detective, The Night Of, The Leftovers e Vinyl mostraram que a tv cada vez mais iguala o nível de produção com o cinema. Mas talvez o grande diferencial de Westworld além de sua produção caríssima e grandiosa, seja a liberdade dada aos showrunners Jonathan Nolan e Lisa Joy para irem fundo tão temática como estruturalmente na série. E desde sua concepção, a série prometia mexer com os fóruns com muitas teorias ao longo dos episódios, ao fim fica a sensação que Westworld foi muito além de uma série de debates conjecturais na internet, e sim um produto que acertou em praticamente todos os aspectos.

Baseada no filme homônimo de 1973 (clique aqui para ler minha crítica sobre ele), que foi escrito e dirigido por  Michael Crichton, a série usa da premissa original para uma ampliação ambiciosa desse universo, que é facilitada pelo formato (10 episódios de 1 hora aproximadamente). Porém, a série afasta-se do filme principalmente por não vila os robôs (chamados de anfitriões), mas trazer o ponto de vista deles como mote principal da narrativa ao longo dos episódios.

Tecnicamente, a série exibe uma perfeição talvez jamais vista (nem mesmo em Game Of Thrones). Com cenários extremamente suntuosos e de ótimo bom gosto, o grande destaque fica para como os vários tipos de cenários (do parque e dentro das instalações da companhia) são minuciosamente pensados. Outro destaque vai para a montagem, que requer um cuidado enorme pela série tratar de várias linhas narrativas (que adiante falarei melhor), e muitas cenas que se passam nos mesmos espaços -mas em épocas diferentes, precisam de um cuidado na forma como são organizadas, e isso a série fez magistralmente bem.

O grande trunfo do roteiro de Jonathan e Lisa está na forma como ele é armado. Com uma estrutura não-linear, além de contar com narrativas em diversas épocas -mas nunca explicadas ao espectador, o ritmo e a forma como as respostas são dadas ao público são um grande acerto da dupla. Pois em alguns momentos quando percebemos que série começa a esconder demais as informações necessárias para o avanço da narrativa, o próximo episódio surge com tais respostas que encadeiam novos mistérios e perguntas. Os diálogos também são um show a parte, com frases emblemáticas que muitas vezes dizem pouco em um contexto inicial, mas que ao longo dos episódios ganham novos significados.

Outra grande qualidade de Westworld está na sua pluralidade narrativa. Dentro do parque sabemos que existem dezenas de histórias criadas para entreter os visitantes. Dito isso, assim como a série nos levou às histórias de específicos personagens (Dolores, Bernard, Maeve, etc), com toda certeza haveriam outras narrativas fascinantes escondidas nas entranhas do parque, como o próprio Homem De Preto (Ed Harris) disse certa ocasião na série. E o que a série faz eficientemente é entrelaçar todas as subtramas de seus personagens, formando um verdadeiro mosaico narrativo.

Tematicamente a série também é bastante forte. Com um texto rico que explora o criacionismo, e as consequências que a alta tecnologia e a criação de androides pode representar aos seres humanos. E ao longo dos episódios, como as memórias podem impactar nosso caráter futuro também é muito bem trabalhado. Como os anfitriões são bombardeados com essas memórias e como elas ficam adormecidas em seu subconsciente. E isso é bem exemplificado na personagem da Dolores (Evan Rachel Wood), que possui um passado sangrento, e na linha narrativa atual ela começa a lembrar-se de coisas que aconteceram nesse passado, assim como acontece com a Maeve.

Dentro de infindáveis qualidades, o único ponto fraco seja no artifício fácil de roteiro que a série usa para justificar como a Maeve conseguiu arquitetar todo aquele plano de fuga do parque. Para uma série tão inteligente e que trata seu espectador dignamente, foi um tropeço usar os dois mecânicos que simplesmente deixam a Maeve fazer o que quiser dentro das instalações da companhia. Além do fato de setores tão importantes parecerem não ter monitoramento algum, ou só quando a série está disposta a fazer tal minoramento funcionar. Mas mesmo assim, não é algo que estrague a experiência.

O season finale da série é um dos mais satisfatórios que pude assistir nos últimos anos. Com todos os elementos sendo moldados para um grande desfecho. Dr. Ford, que é muito bem interpretado pelo Anthony Hopkins, sempre esteve um passo a frente de todos ao seu redor, e mais uma vez mostrou que ele controla tudo dentro de Westworld, mesmo quando todos pensavam que sua liderança estaria no fim. E sem deixar ganchos desesperadores para uma segunda temporada, creio que esse primeiro ano funcionaria perfeitamente como uma minissérie, partindo para uma nova história no próximo ano. Mas as possibilidades são imensas e a expectativa já está nas alturas para o futuro da série.

Prometendo abocanhar todos os prêmios possíveis no ano que vem, Westworld foi com toda certeza a melhor série de 2016. Um verdadeiro deleite para os fãs de ficção científica, mas também para aqueles que adoram mistérios e criação de expectativa.

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