Um Estado De Liberdade (2016)- Crítica

Avaliação: 3 Stars (3 / 5)

Mais de 150 anos após o término do conflito, a guerra civil americana continua gerando muitos filmes em terreno norte-americano. Dos longínquos clássicos como O Nascimento de Uma Nação (1915) E o vento levou (1939), passando por alguns faroestes que se situam nesse período como Três Homens em Conflito (1966) Rio Bravo (1959) ao mais recente Lincoln (2012), a também chamada guerra de secessão continua despertando interesse muito pelos temas abordados. E Um Estado de Liberdade, que é dirigido pelo Gary Ross (Jogos Vorazes), pode ser considerado um filme que ambiciona muito, mas que não consegue ser à altura da importância que almeja alcançar.

O longa conta a história do  fazendeiro Newton Knight (Matthew McConaughey),  que é contra a escravidão, e também à secessão, e uni-se com  pequenos agricultores e com a ajuda de escravos locais, Knight lançou uma revolta que levou o Condado de Jones, no Mississipi, a se separar da Confederação e a criar o Estado Livre de Jones.

A primeira coisa que o espectador tem que entender é que Um Estado de Liberdade não é um genuíno filme de guerra, como pode parecer pelos seus 10 minutos. Onde vemos cenas de ação e tiroteio muito bem filmadas e com uma edição de som espetacular. Nesses primeiros minutos, Knight perde um parente que estava com ele na guerra e depois decide fugir e desertar. Após ser atacado por um cachorro, ele acaba se refugiando em um pântano, onde encontra um pequeno grupo de escravos fugitivos.

Esse segundo (e maior) ato, concentra-se na ascensão de Knight, junto aos escravos no pântano, com o objetivo de formar um pequeno estado livre. E o maior mérito do filme está juntamente no crescimento dessa comunidade, com Matthew McConaughey em uma atuação crescente em qualidade ao ponto que o filme avança, deixando um pouco aqueles seus maneirismos irritantes de lado. Todo esse processo pode ser sintetizado em uma cena onde Knight pergunta à um dos escravos sobre a forma de ascender a fogueira e eles respondem que dessa forma a fumaça não ganha o céu e eles não podem ser vistos Então mais adiante, Knight faz uma fogueira enorme para que a fumaça invada os céus e mostre à todos que aquela comunidade pode e deve ser vista e notada, que eles não estão mortos e irão lutar por aquilo que acreditam.

Mas, se quando o filme concentra-se unicamente na formação do estado livre, ele tenta abraçar outros aspectos da época, mas sem aprofundar-se em nenhum deles. Com a influência da Ku Klux Klan na história, que acaba ficando apressada e meio jogada. E em alguns momentos o filme dá um Flashfoward 80 anos adiante, onde acompanhamos um descendente de Knight está seno julgado por infringir as leias de miscigenação do Mississipi, já que ele também é descendente de Rachel, que casou-se com Knight durante a guerra civil, fato que o qualificaria como pessoa de cor perante a lei. Esses momentos, apesar de inicialmente interessantes, parecem serem colocados apenas para dar uma carga dramática maior ao filme a fim de obter algumas indicações ao Oscar.

Em seus aspectos técnicos, Um Estado De Liberdade faz bonito. Com locações belíssimas e uma linda fotografia, o filme não tem pudor em mostrar sangue e cenas fortes quando preciso. O figurino e o elenco também foi bem escolhido e dirigido. Mas ao fim, fica a impressão que a história era abrangente demais para ser condensada em um filme de pouco mais de 2 horas. Entretanto, mesmo que falhe na falta de foco, ficam os pontos positivos pelas qualidade estéticas e pelo valor temático, que mostra-se relevante mesmo 150 anos depois do fim da guerra civil americana.

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