American Horror Story: 6º Temporada- Crítica

Avaliação: 3.5 Stars (3.5 / 5)

Ainda mais difícil que conseguir segurar uma série de tv por vários anos mantendo o bom nível do enredo e da narrativa é trabalhar com antologias. O formato, que permite criar uma história independente das outras em cada temporada, requer uma fonte de boas ideias praticamente inesgotável. E Ryan Mutphy, que é o showrunner de American Horror Story, provou que mesmo sem uma boa história para contar, consegue ao menos manter a qualidade já característica da série, que vai para o seu sétimo ano, com a recente renovação de contrato.

Roanoke, que é o nome da atual temporada, conta a história de Shelby e Matt, um casal que muda-se para uma luxuosa casa de campo em Roanoke, que foi adquirida em um leilão por um preço baixíssimo. Depois de uns dias na casa, os dois passam a presenciar acontecimentos macabros durante as noites na casa. A série tem um formato de documentário, onde os personagens vão narrando os acontecimentos.

O início não foi muito promissor, com uma história inicialmente fraca, e sem aquela estética já bastante conhecida pelos fãs da antologia, os dois primeiros episódios primavam por criações de suspense baratas e sustos fáceis. O que foi mudando a partir do 3º capítulo, onde mais personagens foram introduzidos e relatos macabros sobre a casa iam sendo revelados aos poucos.

Mas o grande trunfo de Roanoke foi o impactante plot twist no início do 6º episódio. Tudo que presenciávamos até então não passava de encenação de uma série de horror, mas que permanecia baseada em fatos reais presenciados por Matt e Shelby.  O roteirista então planeja repetir o sucesso explosivo da 1º temporada, colocando todos os atores e também os personagens da história por trás de Roanoke dentro da casa novamente, com o objetivo de fazer um reality show de horrores. Com várias cenas passando-se dentro de estúdios de tv e sets de filmagem, e com muitos personagens introduzidos a partir daí, a série ganhou um novo gás e segurou bem as pontas até o seu fim, com algumas outras reviravoltas.

Em termos de linguagem, essa talvez tenha sido a temporada mais experimental, pois além de mesclar vários gêneros cinematográficos, como o horror, suspense, terror, drama e documentário; Ryan Murphy soube adequar sua estética á cada um desses gêneros bem equilibradamente.Perceba como no início do 6º episódio a câmera é bastante ágil, como se realmente estivessem filmando um documentário sobre uma série de tv. Outro ponto de contraste entre os 5 primeiros e 5 últimos episódios é a forma como a casa é filmada, se no início os planos estáticos e o uso da luz artificial mostra-se necessária para dar um ar de ficção, depois vemos a casa sendo filmada como nos famosos filmes Found Footage, com bastante câmera na mão e quase nenhuma interferência artificial na luz e no som. O uso da metalinguagem também esteve fortemente presente, já que estamos falando de uma série que passa-se dentro de outra série.

Se no enredo essa temporada ficou devendo, no quesito gore e mortes sangrentas foi um show à parte: principalmente envolvendo a família dos Polks, a série não economizou na brutalidade e nas cenas fortes, assim como nos personagens bizarros. O elenco também foi bastante competente, e mesmo perdendo a Lady Gaga para a atual temporada, soube explorar de forma equilibrada seus outros atores. Com destaque para Katy Bathes, claro.

Mas infelizmente, o desfecho de Roanoke deixa um pouco a desejar. Depois de tantos mistérios levantados e poucas respostas concedidas, o último episódio é uma enxurrada de diálogos expositivos para que o espectador possa compreender toda a trama que foi desenvolvida até então. Isso quebra bastante a fluidez  da temporada, que poderia ter mais um episódio para que não ficasse tanta informação espremida no final da série.

Mesmo com os tropeços, Ryan Murphy continua habilidoso em nos apresentar suspense, horror e bastante gore. E se esse ano American Horror Story ficou devendo em termos de história, ano que vem será bastante promissor, já que a série abordará a relação da 1º com a 3º temporadas. E esperamos que seja uma relação mais consistente, e não apenas de lampejos como foi nos últimos anos.

O que achou dessa temporada e o que espera da próxima? Comente aí abaixo!

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