Metallica – Hardwired…To Self-Destruct (2016)- Resenha

Avaliação: 4.5 Stars (4.5 / 5)

Esse ano tem sido definitivamente promissor para os grandes nomes do Thrash Metal. Anthrax, Megadeth, Sodom, Destruction e Testament lançaram álbuns relevantes dentro de suas discografias, apesar de nenhuma delas ter inovado no estilo. Dito isso, O Metallica que não lança trabalho inédito deste 2008, com Death Magnetic, cada vez mais parecia não estar interessado em compor novas músicas. Infindáveis turnês nos últimos 8 anos e um aumento absurdo de popularidade talvez tenham afastado a banda do lado mais “sangue no olho” dos primeiros 10 anos. Mas eis que Hardwired…To Self-Destruct foi anunciado e um já aguardado frisson tomou conta dos fãs e da mídia especializada. Estaria o Metallica disposto a quebrar as barreiras do estilo e trazer algum vigor à música pesada, que anda cada vez mais necessitada de exploração de novos elementos? Longe disso. Porém, a banda entrega um conjunto coeso e cheio de qualidade de 12 faixas poderosas. Ela não precisava mais que isso.

Seu último disco, Death Magnetic (2008) é um bom disco, apesar de pecar nos excessos e ser inofensivo (faltava peso, faltava metal). E para esse novo trabalho, James Hetfield (guitarra e vocal), Kirk Hammett (guitarra), Lars Ulrich (bateria) e Robert Trujillo (baixo) resolveram corrigir os erros do último. As faixas continuam longas e sua maioria, mas aqui as transições de ritmo e estrutura estão mais bem encaixadas, o que indica que muito do álbum pode ter sido composto mais naturalmente, e não com base em ideias aleatórias e costuradas em estúdio. Há mais vigor em Hardwired…., há mais pegada e vontade dos seus integrantes.

O que mais chama atenção nesse novo play é o trabalho de guitarras, James solta a mão como nunca nos riffs, assim como Kirk está mandando muito bem nos solos. Assim como o entrosamento dos dois está excelente, dá para perceber o uso de duas guitarras em praticamente 100% do disco. Não sou baterista, então não posso me aprofundar no assunto, mas Lars consegue impor um ritmo dinâmico às composições, assim como Trujillo cumpre bem o seu papel. É interessante também notar como a banda passeia por sua discografia ao longo do tracklist de 12 faixas, tudo isso organicamente bem construído e natural.

A música Hardwired, que inclusive foi escolhida como a primeira a ser mostrada do novo disco, abre os trabalhos da primeira parte com uma pegada muito veloz e agressiva, lembrando muito os tempos áureos do Kill ‘Em All (1983). Atlas, Rise! é uma das melhores do disco, com ótimas mudanças de andamento e boas melodias, algo bem parecido com o que a banda fez no And  Justice For All (1988). A mid-tempo Now That We’re Dead remete diretamente aos injustamente execrados Load (1996) e ReLoad (1997) , e possui um ótimo refrão. Mouth Into Flame carrega a influência de NWOBHM, com riffs cavalgados e mostra claramente que as bandas britânicas influenciaram muito a banda em seu início. Dream No More é mais soturna e tem um quê de Black Sabbath, principalmente em alguns riffs, e ainda conta com um vocal mais climático de James, que aliás está cantando como nunca em Hardwired….. Halo On Fire completa a primeira parte do disco, sendo a mais longa e é aquela faixa típica do Metallica cheia de variações de velocidade e refrão explosivo.

A segunda parte inicia-se com Confusion, que lembra bastante as músicas do disco anterior, mas logo melhora com o peso imperando nas guitarras. Manunkind é aquele thrash  cadenciado cheio daquelas paradinhas mortais. Here Comes Revenge tem a melhor performance vocal de James Hetfield, com uma letra forte invocando palavras de vingança e ódio, outro destaque do disco. Am I Savage tem passagens pesadíssimas perfeitas para bater cabeça, e outra com influência bem-vinda do Black Sabbath. Se Murder One não mostra nada diferente do que já foi apresentada até aqui, Spit Out The Bone fecha o disco com uma linda homenagem ao Motorhead, banda que também influenciou o Metallica em seus primeiros anos e deve ser um grande destaque nos shows da banda.

Ao fim de Hardwired…To Self-Destruct, sensação é de satisfação ao ver uma banda com 35 anos de estrada mostrando ainda bastante vigor e vontade de tocar. Em  seu disco mais Thrash em quase 30 anos, a banda promete incendiar os shows com a possibilidade de tocar todas as músicas do novo disco em turnê.  Que não demore mais 8 anos para termos material inédito da banda, e que ela continue com vontade para nos presenciar com boa música!

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