The Walking Dead S07E04: Crítica

Avaliação:3 Stars (3 / 5)

A AMC não cansa de testar os limites da relação de amor e ódio que muitos de seus espectadores têm com a série. Em meio à explosões de tensão e ação de alguns episódios, um emaranhado de momentos desinteressantes e com pouca qualidade dramática são inseridos cinicamente como fillers. Com a inserção do grande vilão Negan, muitos pensavam que ele seria a sobrevida que a série precisara já há umas 2 temporadas, mas depois de 4 episódios a impressão que fica é que ele será subaproveitado ou mal utilizado como o anterior grande vilão, que foi o governador.

Esse episódio mostrou como ficou a relação de submissão da comunidade de Alexandria com o Negan, além de como o grupo do Rick está reagindo ao baque de perder Abraham e Glenn nas mãos do vilão. Ele e seus homens chegam à comunidade, e vasculham todas as casas em busca de mantimentos e bens preciosos que os moradores de lá possam possuir. E claro, toda uma tensão é construída em torno da relação de Rick com o líder dos salvadores. Se nosso protagonista se mostrou implacável em diversas situações adversas ao longo de sua jornada, aqui ele parece totalmente devastado, e disposto a aceitar as condições inumanas que Negan propõe para Alexandria.

Aliás, a série levou vários anos para construir uma figura sólida de líder em Rick, eficientemente desconstrói em apenas alguns episódios. Perceba a primeira cena, onde a câmera mostra de cima Rick e Michonne dormindo. Enquanto ela olha para ele com um olhar surpreso, ele é mostrado quase em posição fetal, demonstrando claramente a fraqueza de seu psicológico naquele momento. E se nas cenas onde ele e Negan estão dialogando a câmera o mostra sempre em contra-plano ou de cima para baixo, a série sabe bem endeusar seu vilão, sempre tocando uma trilha sonora com acordes soturnos e pontuais, quase como uma trilha de um pistoleiro em filmes de faroeste. E claro, não esquecer do enquadramento mais belo do episódio (que teve uma ótima fotografia), mostrando a sombra de Negan por trás do portão, com a câmera se aproximando e revelando a posição iconográfica do vilão. Esplendoroso.

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O grande problema do episódio é a espécie de anti-clímax que ele carrega por termos esperado duas semanas para que Negan e Rick voltassem a se encontrar. Mesmo sabendo que essa relação tem que ser construída com calma, sabemos bem que a série tem a mesma capacidade em frustrar e atender nossas expectativas. E apesar das boas cenas que esse desnecessário longo episódio proporcionou, aquela sensação de estarmos sendo enganados surge quando percebemos que o próximo episódio possivelmente seguirá outro núcleo ainda inexplorado nessa temporada: Maggie em Hiltop.

Outro problema parece ser o excesso de personagens que não servem para muita coisa na série. Se no primeiro capítulo os roteiristas precisaram ter colocado vítimas de peso para amenizar as críticas dos fãs, atualmente eu particularmente desejaria que Eugene e Rosita tivessem morrido no lugar do Abraham e do Glenn, que eram personagens infinitamente mais interessantes. Só nos resta para a Lucille ficar com cede novamente fazer baixas em Alexandria para dar mais tempo aos personagens que importam.

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