Ina Forsman: a nova queridinha do Blues

Avaliação: 4 Stars (4 / 5)

O blues, como todo fã sabe, ao longo de sua história foi moldando-se ao longo dos anos. Depois de tornar-se elétrico nos anos 30, e influenciar o surgimento do Heavy Metal no final da década de 60 e início dos anos 70, teve uma fase muito difícil no final dos anos 80 e na década seguinte. Dado como morto, teve seu renascimento nos anos 2.000 com muitos artistas e bandas revisitando suas raízes ao ponto que o inseria em algo novo. E as mulheres foram muito importantes para esse revival: Susan Tedeschi, Beth Hart, Amy Winehouse, Meg White (The White Stripes). E mais recentemente bandas como o Alabama Shakes e Blues Pills continuam levando a bandeira do estilo ao topo da música em termos de qualidade. E os próximos anos mostram-se animadores, pois novos talentos como Ina Forsman continuam surgindo.

O som que a moça da Finlândia faz situa-se na intersecção entre o blues e o soul. Nomes como Nina Sinome, Amy Winehouse, Etta James e Aretha Franklin são os que mais lembrados ao ouvir seu álbum de estreia homônimo, lançado esse ano, 2016. A produção bem limpa deixa o som cristalino e atual, mas o único ponto fraco do disco seja o instrumental que poderia ser mais bem elaborado. Tudo bem que se tratando de uma carreira solo, onde a vocalista destaca-se por sua forte e característica voz é necessário que os outros integrantes da banda carreguem o piano para Ina brilhar, mas faltou um pouco mais de esmero nesse aspecto, mas nada que atrapalhe as composições.

O álbum é bastante homogêneo e o tracklist bastante sólido. Mesmo não havendo nenhuma música incrível, ao menos todas proporcionam uma audição agradável e deliciosa. Pretty Messed Up possui uma jocosidade bem-vinda, com uma interpretação mais contida de Ina, mas não menos eficiente. Bubbly Kisses é aquele típico blues de bordel, com um bom uso dos backing vocals. Talk To Me é embalada pela gaita e possui uma forte influência de um blues mais oldschool. Room For Love é uma das mais marcantes, possui um apelo mais comercial e tem cara de hit, mas com sua base forte no blues. O álbum encerra com uma versão competente de I Want I Little Sugar In my Bowl, da Nina Simone, mostrando de onde vem a maior inspiração da cantora.

Uma estreia que apesar de não correr riscos, traz  músicas cativantes e uma vocalista que tem tudo para continuar carregando o legado de suas inspirações. Ina Forsman merece a atenção não apenas dos fãs de blues e soul, mas sim de quem aprecia boa música.

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