Gary Clark Jr. : Blak And Blu (2012)- Resenha

Avaliação: 4.5 Stars (4.5 / 5)

A superficialidade da maioria dos artistas da música atual desanima qualquer amante dessa ainda jovem forma de arte. A necessidade cada vez maior de soar comercial acaba afastando muitos artistas que praticam a música por simples paixão. Mas, vez ou outra, surge uma pérola que consegue conciliar ambos os lados (artístico e comercial). E Blak And Blu, disco de estreia do norte-americano Gary Clark Jr. consegue de sobra soar comercial, mas ao mesmo tempo mostrar seu lado pessoal e ainda mostrar uma musicalidade orgânica e sincera.

O guitarrista faz um som com um pé cravado no blues, usando como base para o outro passear por outros estilos como o rock, o soul, o R&B e até algumas pitadas de Hip-Hop. O disco abre com Ain’t Messin’ Around, com os metais já no alto e um belo trabalho de voz de Gary em uma das mais agitadas do álbum inteiro. O Riff de abertura de When My Train Pulls In dá o tom para não só a melhor música do disco, como em um clássico imediato do blues contemporâneo. Tudo se encaixa perfeitamente: voz, letra, instrumental e ritmo. Só essa faixa já valeria o trabalho.

 A faixa título desacelera, trazendo uma pitada mais pop. Enquanto Bright Lights é um blues rock cadenciado com belas passagens vocais e um ótimo solo. As próximas faixas oscilam entre rocks viscerais como Travis County, Glitter Ain’t Gold: com músicas mais calmas e calcadas no soul, como Please Come Home e Things Are Changing (outra das melhores).

Third Stone From The Sun é a faixa mais longa do álbum com quase 10 minutos de duração, e carrega um aspecto de jam sessions, podendo muito bem ultrapassar sua duração nos shows ao vivo. Mas é na última música – Next Door Neighbor Blues– que Gary Clark Jr. mexe com as emoções dos fãs do blues. Com uma sonoridade que exalta a primeira geração do estilo nos anos 30, é impossível não se emocionar e não lembrar de nomes como Son House, Blind Willie Jonhson e Skip James.

Black And Blu é um trabalho que consegue angariar tanto os fãs old school do blues, como soar fresco e acessível aos novos e jovens amantes do estilo. É um trabalho de um artistas que obviamente tem muito para crescer e explorar ainda mais suas mais variadas influências musicais.

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