The Blues (2003)- Série de Documentários

A paixão do diretor Martin Scorsese pela música não é de hoje. Se nas trilhas sonoras de seus filmes a música sempre teve papel central em suas histórias, o diretor já foi além. Dirigiu um show dos Rolling Stones em 2007, que saiu em dvd/blu-ray, chamado Shine A Light, assim como o show/documentário O Último Concerto de Rock (1978). Mas talvez a investida mais profunda do cineasta tenha sido a série de documentários The Blues (2003), exibida pela HBO.

A concepção da série é mostrar a história do blues, um estilo tão antigo, que deu origem não apenas ao rock, mas à outros estilos mais contemporâneos. São diversos diretores envolvidos, como Clint Eastwood, Mike Figgis, Charles Burnett, Marc Levin, Richard Pearce e Wim Wenders, além do próprio Scorsese. Os filmes incluem gravações raríssimas dos anos 30,40, 50 e 60, além de depoimentos de vários músicos e personalidades envolvidas com esse estilo de música. Um verdadeiro deleite para os fãs do blues, assim como a bíblia definitiva para quem não conhece bem e quer se aprofundar no assunto.

Segue abaixo as sinopses dos 7 episódios:

DE REGRESSO A CASA (“Feel Like Going Home”)
Em busca da origem dos Blues, o realizador Martin Scorsese viaja com o músico Corey Harris, desde as plantações de algodão do Mississipi até às margens do rio Níger, no Mali, em África.
Este documentário sobre as raízes dos Blues mostra-nos verdadeiras relíquias de arquivo bem como atuações de Corey Harris, Willie King, Taj Mahal, Keb’Mo’, Otha Turner, Habib Koité, Salif Keita e Ali Fraka Toure.
Scorsese explica “Eu sempre senti uma afinidade pela música dos Blues – A cultura e as histórias narradas através da música fascinam-me e impressionam-me bastante. Os Blues têm uma ressonância emocional muito forte e são, sem dúvida, os criadores da música popular americana”.

A ALMA DE UM HOMEM (“Soul of a Man”)
Em A Alma de Um Homem, o realizador Wim Wenders analisa a tensão dramática dos Blues, entre o sagrado e o profano, ao explorar a vida e música de três dos seus artistas favoritos dos Blues: Skip James, Blind Willie Johnson e J.B. Lenoir.
Com uma parte histórica e outra de peregrinação pessoal, o filme conta a história dessas vidas de música, através de uma extensa sequência de ficção, de um arquivo de imagens raras, de documentários atuais e da reprodução das suas músicas por artistas contemporâneos, tais como: Shemekia Copeland, Garland Jeffreys, Nick Cave, Los Lobos, Eagle-Eye Cherry, Vernon Reid, James Blood Ulmer, Lou Red, Bonnie Raitt, Marc Ribot, The Jon Spencer Blues Explosion, Lucinda Williams e T Bone Burnett.
Wenders explica: “Estas músicas tem um grande significado para mim. Eu sinto que há mais verdade em qualquer uma delas do que em qualquer livro que li sobre a América, ou em qualquer filme que tenha visto. Tentei descrever, mais como um poema do que como um documentário, aquilo que me marcou mais nas suas músicas e vozes”

A CAMINHO DE MEMPHIS (Road to Memphis)
O Realizador Richard Pearce traça a odisseia musical da grande lenda dos Blues, B.B. King, num filme que é um tributo à cidade onde nasceu um novo estilo de Blues. Pearce leva-nos também pela estrada aos bastidores dos Blues, com os veteranos de Memphis, Bobby Rush e Rosco Gordon. A homenagem de Pearce a Memphis apresenta atuações originais de B.B. King, Bobby Rush, Rosco Gordon, Ike Turner, Reverendo Gatemouth Moore e Little Milton, assim como inclui uma sequência de imagens de arquivo de Howlin’ Wolf, B.B. King, Rufus Thomas, Little Richard, Fats Domino, The Coasters, entre outros.
Pearce explica: “Os Blues são a hipótese de celebrar uma das mais primitivas formas de arte americanas, antes que tudo desapareça absorvido, na sua totalidade, pela geração do Rock’ n’ Roll. Felizmente chegamos antes que fosse tarde demais.”

AQUECIDO PELO FOGO DO DIABO (Warming by the Devil’s Fire)
Charles Burnett explora o seu próprio passado como um jovem rapaz que se movimenta de um lado para o outro, entre Los Angeles e o Mississipi, balançando entre um tio que adora os Blues e uma mãe que considera os Blues a música do Diabo. O filme de Burnett faz uma audaciosa mistura de histórias imaginárias com imagens documentais de um anfitrião de lendas dos Blues, num conto sobre o reencontro de um jovem com a sua família no Mississipi, em 1955, dramatizando as tensões entre a tendência espiritual do gospel e as diabólicas lamentações dos Blues.
Burnett explica: “O som dos Blues foi uma parte do meu ambiente, que eu aceitei como verdadeiro. No entanto, com o passar dos anos, os Blues apareceram como uma fonte de imagens figuradas, humor, ironia e como uma perspicácia que nos permite refletir sobre a condição humana. Eu sempre quis fazer uma história sobre os Blues que refletisse, não só a sua natureza e o seu conteúdo, como também aludisse à sua própria forma. Em suma, uma história que vos desse uma ideia real dos Blues.”

PADRINHOS E FILHOS (Godfathers and Sons)
Chamam-lhes Blues Brothers 2003 – num animado filme, conduzido por Marc Levin, a lenda do Hip-Hop Chuck D (dos Public Enemy) e Marshall Chess (filho de Leonard Chess e herdeiro da Chess Records) voltam a Chicago para explorar o apogeu dos Chicago Blues tentando criar uma produção musical que reúna os veteranos dos Blues, com os músicos actuais do Hip-Hop, tal como se fez com os Common e os The Roots. Juntamente com imagens de arquivo inéditas de Howlin’ Wolf, estão atuações originais de Koko Taylor, Otis Rush, Magic Slim, Ike Turner e Sam Lay.
Levin explica: ” Quando estávamos em rodagem com Sam Lay e a sua banda no Festival de Blues de Chicago, eles estavam a tocar um clássico de Muddy Waters – “I Got My Mojo Workin”. Eu fechei os olhos e deixei-me transportar até aos meus 15 anos, quando me encontrava na cave de uns amigos, a ouvir a banda de Blues de Paul Butterfield pela 1ª vez. A minha vida mudou nesse dia e, 35 anos mais tarde, a música continua a mexer comigo. O sentimento desse dia foi o que revelei para concretizar este filme.”

RED, WHITE & BLUES (Red, White & Blues)
Durante os anos 60, o Reino Unido foi cenário de uma vibrante revolução social. Os movimentos de ressurgimento dos tradicionais temas de Jazz e Folk, no pós-guerra, espalharam as suas sementes – num solo musical fértil – criando as raízes de um novo gênero de Blues, inteiramente influenciado pelos originais e autênticos Blues negros dos EUA. Os músicos britânicos, no seio desta revolução musical, continuaram a prestar homenagem aos criadores da música e a formar uma enorme audiência, a nível global, consciente dos seus gostos por Robert Johnson, Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Freddie King, entre outros.
O filme de Mike Figgis é um misto de entrevistas, com artistas chave do movimento britânico dos Blues e com uma nova música de Jam Session, improvisada por um elenco de estrelas nos famosos estúdios de Abbey Road: Tom Jones, Jeff Beck, Lulu entre outras referências dos clássicos dos Blues, acompanhados por uma magnifica banda de músicos. O resultado é electrificante!
Figgis explica: ” Estou interessado no porquê de haver tanta excitação sobre esta música, de origem negra, entre os europeus. Para esse fim, juntei um grupo desses músicos e acrescentei à lista alguns jovens talentos. Graças a Deus, o resultado da gravação da sessão, com algumas referências dos Blues, e as discussões que se seguiram, fizeram luz sobre a razão pela qual os blues foram re-interpretados no estrangeiro e reintroduzido como uma forma universalmente aceite”

PIANO BLUES (Piano Blues)
O realizador – e pianista – Clint Eastwood explora a sua paixão de toda a vida pelos Piano Blues, usando um tesouro de actuações históricas e raras, assim como também entrevistas e atuações de lendas vivas, tais como, Fats Domino e Dr. John e o eterno Ray Charles.
Piano Blues é composto por entrevistas e actuações de Ray Charles, Dr. John, Marcia Ball, Pinetop Perkins, Dave Brubeck, Jay Mcshann, entre outros; inclui também imagens de arquivo de actuações de Ray Charles, Ottis Span, Art Tatum, Albert Lammons, Pete Johnson, Jay Mcshann, Big Joe Turner, Oscar Peterson, Nat King Cole, Martha Davis, Fats Domino, Prof. Longhair, Charles Brown e Duke Ellington, entre outros.
Eastwood explica: ” Os Blues fizeram sempre parte da minha vida musical e o piano teve sempre um lugar especial. Tudo começou quando a minha mãe trouxe para casa todos os discos de Fats’ Waller. A música teve sempre lugar nos meus filmes, mas o documentário Piano Blues deu-me a hipótese de fazer um filme mais diretamente relacionado com o tema “música”, do que qualquer outro filme que tenha feito ao longo da minha carreira.”

Gosta de Blues? Comente aí abaixo qual filme ou documentário você recomenda!

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