The Walking Dead volta com sangue nos olhos!

Avaliação: 4.5 Stars (4.5 / 5)

Brincar com a expectativa do público é algo interessante, porém perigoso se usado em demasia. A AMC faz isso constantemente com sua principal série e gera as mais variadas reações: há aqueles que gostam e alguns que abominam. O ápice foi no final da última temporada, quando a tão aguardada aparição de Negan acabou com gosto de frustração para muita gente pelo fato da revelação de sua primeira vítima ter sido deixada para o próximo ano. Provando ter ouvido as reclamações dos fãs, os roteiristas resolveram nessa volta dar um grande presente aos fãs; na verdade, dois presentes.

O episódio se inicia com o semblante chocado de Rick, com uma mancha de sangue no rosto, ouvindo Negan perguntá-lo se a piada era muito ruim. Nitidamente em uma cena após a execução feita por Negan, Rick diz que vai matá-lo. E inicia-se aqui a desconstrução de um dos personagens mais fortes e sólidos em meio ao apocalipse desde o início do programa. Mesmo ele repetindo as palavras para Negan, não conseguimos acreditar que Rick conseguirá realmente se superar novamente e derrotar o vilão. Sua voz trêmula, sua postura submissa e o medo nos olhos denunciam sua posição desfavorável naquela situação.

Negan então o leva para dentro da van. Lá, senta-se de costas para Rick e deixa o machado livre para ele tentar matá-lo. Claramente testando  o espírito impulsivo do protagonista, Negan vai além e depois de dirigir um pouco joga o machado do lado de fora da van e manda Rick buscá-lo em meio à vários walkers. Na cena onde ele tenta recuperar o machado, a neblina representa bem o estado psicológico dele naquele momento: a falta de controle, a perda de noção de futuro (breve). Ainda dentro da van, quando Negan aponta para o machado e diz: “isto é meu.” não trata-se apenas do machado em si, mas também da permissão da violência, da permissão da morte dentro daquele grupo.

E finalmente é revelada a vítima do grande vilão. Despejando deboche, sadismo e menosprezo, Negan difere-se de Rick justamente nesse passo além que o primeiro dá: ele não se importa com a selvageria, com a carnificina. Se ele tiver que matar alguém para mostrar superioridade, ele matará. Adotando em alguns momentos a câmera subjetiva do ponto de vista de Rick, quando em determinado momento Negan Joga sangue da Lucille em sua cara, está simbolizando que as mortes efetuadas por ele são responsabilidade do Rick, que nesse momento está tão desolado que mal consegue ficar de joelhos.

Narrativamente falando, esse episódio não avança tanto na história, mas consolida muita coisa que poderá ser trabalhada nos próximos capítulos. Apostando muito mais no clima de horror e na criação de suspense, a direção foi primorosa ao trazer uma narrativa não linear, buscando embaralhar um pouco a ordem dos acontecimentos para dar mais peso às ações. Também foi acertada as partes em que alguns momentos dos personagens ao longo da série começam a se passar na cabeça do Rick, enriquecendo ainda mais a tensão psicológica que ele carrega e que só faz crescer desde a destruição da prisão, na quarta temporada.

Muita coisa nesse episódio fica nas entrelinhas ou é um mistério a ser desvendado no futuro. Qual será a relação de Negan e Carl? Percebendo que esse é o maior ponto fraco de Rick, poderia o vilão tentar uma aproximação paterna com o garoto para mexer (ainda mais) com a cabeça do protagonista? Carol e Morgan darão as caras no próximo episódio? Estaria Rick cansado de lutar e ele acabou de perceber que está na hora de desistir, como o final do episódio sugere?

The Day Will Come When You Won’t Be’ dá aquilo que os fãs pediram durante meses: mortes e muito horror. E como sempre, Walking Dead começa intenso e com um padrão altíssimo de qualidade. Só nos resta saber se ela manterá esse nível, sabendo que é corriqueiro da série começar forte e se perdeu um pouco na sua metade. Mas como o próprio Negan diz: “Estou apenas começando.”

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