Westworld S01E03- Crítica

Avaliação: 4 Stars (4 / 5)

Nos últimos anos, a tv tem dado bastante liberdade para os roteiristas expandirem sua criatividade. Tanto é verdade que algumas séries de tv recentes são consideradas obras tão cheias de qualidade quanto alguns dos grandes clássicos do cinema. Contudo, há um fator determinante nessa questão: a forma como a televisão lucra com as produções. Se os números no cinema são importantíssimos, na tv não é diferente, já que é com base na audiência orgânica que as emissoras conseguem seus contratos com patrocinadores para manter seus programas no ar. Visto isso, as séries tem como obrigatoriedade oferecer um fator de diversão e entretenimento aos seus espectadores, ao mesmo tempo que algumas abordam temas mais sérios e discutíveis. E Westworld parece ter encontrado esse equilíbrio tão almejado pelos show runners.

Nesse terceiro episódio, toda a discussão proposta por ela desde o início tem continuidade, ao ponto que conhecemos melhor seus personagens e a história também evolui narrativamente. Dolores continua sendo o centro de mistério e de plot da temporada. E logo no início, Bernard mostra à ela o seguinte trecho do livro Alice No País Das Maravilhas, de Lewis Carroll:

 “Puxa! Puxa! Como tudo está tão estranho hoje! E ontem as coisas estavam tão normais! O que será que mudou à noite? Deixe-me ver: eu era a mesma quando acordei de manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima questão é “Quem sou eu?”

Esse trecho é falado pela própria Alice. Então seria o parque de Westworld o país das maravilhas do livro e Dolores a Alice? Estaria ela sonhando assim como a protagonista do filme? Os problemas com os anfitriões continuam aumentando. Porém, o mais grave parece ser o caso da própria Dolores, já que fica claro que Bernard conversa com ela sobre seu filho falecido, injetando talvez mais memórias do que ela é capaz de suportar, fazendo com que elas não se apaguem totalmente, criando uma espécie de consciência. E as consequência desses atos já são nítidos, já que no fim do episódio Dolores consegue alterar uma narrativa que sempre tinha o mesmo desfecho, deixando uma incógnita na condição intelectual da personagem.

Bernard, por sua vez tem um papel central nesse episódio, pois além da situação com Dolores, ele vai buscar respostas com o Dr. Robert Ford sobre os vários distúrbios que os anfitriões vem apresentando. E logo conhece mais uma história cheia de mistérios, a de Arnold. Que foi um dos criadores de todo o parque junto com o personagem de Hopkins. Ao fim do seu relato, Robert Ford lembra Bernard que os anfitriões não são humanos, e que ele não caia no mesmo erro que Arnold. Juntando todos os elementos, é óbvio que Bernard em algum momento irá atravessar esse limite, devido à suas recentes ações e ao seu trauma que não consegue superar, como o próprio disse à sua esposa em um diálogo.

Stubbs e Else também presenciam alterações extremas dos anfitriões, quando ambos adentram no parque em busca de um que estava perdido nas montanhas. Else encontra em uma acampamento desenhos da constelação de Órion, que carrega uma enorme carga simbólica em sua mitologia (deixarei um link de um texto sobre essa constelação no final da crítica). Interessante notar o quanto ficamos desconfiados de Stubbs, já que algum de seus diálogos indicam que ele pode não ser humano. Deu-se também início à narrativa tão esperada do Dr. Robert Ford. Tendo Teddy como protagonista, ela ainda está em seu início, mas já traz bastante horror misturado com muito tiroteio, algo parecido com o que fez o filme Bone Tomahawk (2015). Se em seu início parece ser apenas mais uma história clichê de filmes western, talvez no futuro ela ganhe carga dramática e potencial necessário pare se diferenciar.

Westworld chega à um ponto em que ele deve adotar uma das várias possibilidades de linhas narrativas e focar-se nela. Mesmo com toda qualidade técnica e temática,  seu terceiro episódio parece ter perdido em qualidade dos dois anteriores. Se o impacto da novidade já passou, ela precisa então engrenar de vez e começar a responder alguns mistérios. Pois seria muito triste ver tanto potencial desperdiçado, mais triste ainda seria se o personagem do brasileiro Rodrigo Santoro não voltar a dar as caras.

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Link da matéria sobre a constelação de Orion:

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