Westworld S01E02- Crítica

Avaliação: 4.5 Stars (4.5 / 5)

Depois de um impressionante primeiro episódio (leia nossa crítica dele aqui), o hype não poderia ser maior para um série que além de conter o padrão de qualidade de produção da HBO, prometia discussão longas e prolongadas sobre existencialismo, inteligência artificial e como seu avanço pode ser benéfico ao ser humano. Contando com um universo já criado pelo filme de 73, era nítido que Westworld não teria pressa em apresentá-lo aos seus espectadores, assim como imergi-los por completo na narrativa. Dito isso, o segundo episódio serve muito mais para criar uma intimidade do público com sua estrutura técnica e temática do que adiantar propriamente a narrativa.

No início acompanhamos dois novos recém-chegados começando suas “férias”, ao ponto que eles vão adentrando as instalações da corporação. William, um deles, vai pela primeira vez experimentar o mundo de Westworld. Uma mulher que o acompanha faz algumas perguntas devido ser a primeira vez dele, e ficamos sabendo que de acordo com as condições de saúde das pessoas, eles podem ou não intensificar mais as experiências vividas delas. Nessas primeiras cenas não há como deixar de prestar atenção na arquitetura reta e com cores bastante frias da corporação, que em alguns momentos lembra alguns cenários de Black Mirror.

O que também aprendemos nesse episódio é como funciona o “setor” de criação das narrativas que são implantadas nesse universo. Um dos personagens está desenvolvendo uma história que o próprio garante ser a melhor já criada para os recém-chegados. Ele faz o pedido para que seus personagens sejam criados de acordo com o enredo, e quando tudo está pronto os apresenta em uma espécie de conferência. Mas logo é impedido de lança-la pelo Dr Robert Ford, que chama sua narrativa de genérica e diz que o que mais é atraente no mundo de Westworld são os pequenos detalhes que a maioria das pessoas não percebe.

É incrível como o univeso Westworld parece-se muito com o jogo de video game Skyrim, de 2011. Pois o mesmo apresenta um mundo vivo, e você (personagem), é jogado naquele mundo, com infinitas possibilidades narrativas dentro dele. Chegando ao nível de 100 pessoas diferentes jogarem o jogo e todas elas passarem por histórias que todos os outros não viveram. Em Westworld, vários personagens podem apresentar aventuras inéditas, com caminhos totalmente distintos. E isso só aumenta o potencial narrativo e de longevidade da série. Há muito ainda para ser explorado, e com toda certeza nos próximos anos veremos Jonatham Nolan e Lisa Joy ousarem ainda mais.

O personagem do Ed Harris também reaparece, e mais uma vez temos outra surpresa em relação à suas motivações: ele na verdade é um recém-chegado que tem carta branca para fazer o que quiser no mundo de Westworld. Estaria ele ali para testar os mecanismos internos daquele universo? Quais as motivações que o move? O que é o labirinto? Em um momento, a filha de um homem o diz as seguintes palavras: ” Siga o arroio sangrento até o ninho da serpente.” Fica cada vez mais claro que esse personagem terá papel central na história.

Mais uma vez os funcionários da corporação têm que lidar com diversos problemas envolvendo os anfitriões. Uma delas, Maeve, parece estar acumulando memórias de personagens passados e causando um caos na sua forma de agir. Em uma cena em que  está passando por uma “cirurgia”, ela levante e sai andando pelos corredores da corporação. Será que o que ela viu pode ser acumulado e causar algum tipo de problema no futuro? Algo aconteceu com esse androide no passado? Mais mistérios são levantados a respeito da criação desses robôs, o que deixa tudo mais intrigante.

Dr. Robert Ford também ganha mais tempo em tela nesse segundo capítulo. Além de ter diálogos muito bem escritos, o personagem passa uma aura muito misteriosa, muito disso da ótima atuação do Anthony Hopkins. No fim do episódio, vemos que ele estava trabalhando por muito tempo em uma nova história, e que ela é bastante original, segundo suas próprias palavras. Em uma cena em meio as montanhas, ele leva Dr. Bernard Lowe para um local que parece ser o ponto de partida dessa nova e já intrigante narrativa.

Mesmo sem fazer com que a história ande da forma convencional, esse segundo episódio é eficiente em expandir ainda mais a mitologia da série. Além de estabelecer melhor algumas relações de seus personagens e familiarizar melhor o espectador com sua linguagem. O terreno está aberto para que Westworld definitivamente entre no seleto grupo de grandes séries já produzidas. E que ganha com isso somos nós.

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