Demônio De Neon (2016)- Crítica

Avaliação: 1.5 Stars (1.5 / 5)

Se uma coisa podemos dizer de  Nicolas Winding Refn é que ele encontrou sua própria linguagem e estilo. Surgido nos anos 90 com filmes independentes e com bastante câmera na mão para uma estética calculadíssima e com cores fortes como características de seus longas mais recentes, o diretor dinamarquês ficou popularmente conhecido pelo filme Drive (2011). E depois de ser duramente criticado por ser bem provido de técnica e desprovido de história em Apenas Deus Perdoa (2014), ele retorna com Demônio De Neon, que foi vaiado depois de seu final no Festival de Cannes em 2016, o que para o bem ou para o mal já atrai atenção para o longa.

A história gira em torno de Jesse (Elle Fannng), que acabara de chegar à Los Angeles e busca tentar carreira como modelo. Após tirar algumas fotos amadores com um colega, ela acaba contratada por uma agência supostamente conceituada de modelos. E a partir daí, passa a conviver com outras modelos que claramente a invejam.

Se seu último longa Nicolas Winding Refn foi acusado de sufocar a história com sua estética pesada, em Demônio De Neon ela é praticamente inexistente. O roteiro fraquíssimo, que foi escrito pelo próprio Refn, junto com Mary Laws e Polly Stenham não aprofunda nenhum personagem, e ainda desperdiça alguns ótimos atores em papéis insignificantes, como Keanu Reeves e Christina Hendricks.

Aliás, seus personagens, assim como nos seus filmes mais recentes, agem de uma forma bastante peculiar na filmografia do diretor: todos falam pausadamente, e possuem semblantes desordenados (para não dizer dementes), passando sempre um estranhamento que às vezes funciona, como em Drive, mas que aqui nada diz realmente.

Durante todo o filme, Nicolas Winding Refn parece claramente estar satirizando de uma forma bastante própria o mundo da moda. Como as modelos que encontram Jesse na festa no início do filme conversam com ela, espantadas pela mesma ser totalmente natural e nunca ter feito nenhum procedimento cirúrgico para ficar mais bela. Infelizmente, esse pequeno teor temático é o máximo que o diretor consegue, já que o próprio filme parece não se importar com a discussão que pode levantar, preferindo sempre mostrar o quão belo e perfeitamente calculado ele é. A fotografia é belíssima, com vários planos que mereceriam ser pendurados em uma parede de museu, mas que em seu conjunto não funcionam organicamente, já que o  diretor não soube costurá-los de uma forma coesa.

Em alguns momentos, parecia que Demônio de Neon aspirava ser uma espécie de Cidade Dos Sonhos (2001) do David Lynch, já que Refn é bastante influenciado por ele. Mas se Lynch conseguiu equilibrar enredo, criação de suspense e estética de uma forma bastante harmoniosa; o filme do dinamarquês até consegue os dois últimos fatores, mas separados, o que faz com que o filme pareça fazer sentido apenas na cabeça de seu diretor.

Mais uma vez  Nicolas Winding Refn parece não compreender que talvez seja a hora de repensar sua forma de fazer cinema. Já que em alguns momentos seu filme parece se achar inteligente demais para  seu público. O que é uma pena, pois um diretor tão talentoso não pode perder a mão dessa forma.

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