O Exorcista (série)- Primeiras impressões

Avaliação: 2 Stars (2 / 5)

Se há um subgênero dentro do terror que carregará para sempre um grande peso em suas costas é o de filme de possessão. O clássico longa O Exorcista (1973) não só abriu as portas para as grandes produções dentro do terror (que era considerado filme B), como também estabeleceu um padrão de qualidade e abordagem que perseguiria todos os filmes posteriores que envolvessem a prática do exorcismo. E  a série homônima recém lançada pelo canal  Fox já nasce com a grande responsabilidade de expandir o universo do filme do William Friedkin.

A série foi criada pelo  Jeremy Slater, que escreveu o roteiro do fraquíssimo Quarteto Fantástico (2015), e conta a história do Padre Tomás Ortega, que coordena uma igreja  localizada no subúrbio de Chicago. E diferente do filme de 73, que é focado na Regan (personagem que é possuída), a série tem Tomás como centro principal no piloto. Jovem e Bonito (claro), logo tomamos conhecimento de que talvez o mesmo não tenha vocação (ou vontade) para ser padre. Assim como parece haver algum mistério sobre isso, em uma cena onde ficamos sabendo que ele troca cartas com uma tal de Jéssica. Ao longo de todo o episódio, Tomás sonha algumas vezes com um padre exercendo o exorcismo em um garoto, que morre após uma das sessões. No fim, depois de receber a visita de Angela, que alega haver algo “estranho” em sua casa, o Padre acaba descobrindo que sua filha Casey aparenta estar possuída. Se o filme original preocupava-se em construir a personalidade da vítima antes de mostrá-la possuída,  a série, que teoricamente teria mais tempo para retratar esse lado da menina acaba por apressar-se e já deixar o espectador ciente de quem é a personagem que está sofrendo a influência de forças demoníacas.

Algo que já é de conhecimento de todos os que já assistiram à algum filme sobre possessão é todo o processo dentro do clero sobre como proceder diante de tal situação. Além de toda a discussão religião X medicina que foi bem abordada no filme O Exorcismo de Emily Rose. Ambos direcionamentos seriam caminhos com extremo potencial  para o formato de série, já que proporcionariam situações interessantíssimas ao redor da prática do exorcismo, e ainda permitiria fugir do ciclo de repetição que a série possa cair se adotar simplesmente a estrutura possessão>investigação>exorcismo.

Outro ponto fraco foi trazê-la para os tempos atuais, assim como fez Bates Motel. E que apesar de ser uma decisão compreensível (devido ao fator financeiro), acaba por sabotar qualquer oportunidade de construção visual/estética mais próxima do filme original. E se a direção não compromete, tampouco consegue criar uma única sequência marcante de tensão/suspense. Os atores fracos também não conseguem dar carga dramática alguma à seus personagens. Com destaque negativo para Geena Davis, que interpreta a Angela.

Se julgarmos apenas pelo piloto, O Exorcista corre um sério risco de ser cancelada logo na sua primeira temporada. Ainda mais pela época bastante concorrida que a série vai ao ar. A menos que melhore muito nos próximos episódios, acabará caindo no esquecimento. Se você procura uma boa série de terror, assista as duas primeiras temporadas de American Horror Story ou Penny Dreadful.

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