Águas Rasas (2016)- Crítica

Avaliação: 4 Stars (4 / 5)

Você prefere uma boa história mal contada ou uma má história bem contada? Hitchcock, por exemplo, sempre preferiu uma narrativa atraente à um bom roteiro. E  Águas Rasas encaixa-se nesse grupo. Não que a trama do filme seja ruim, mas o que chama bastante atenção é a forma como o diretor  Jaume Collet-Serra (Noite Sem Fim, Sem Escalas) conduz o filme.

O longa narra a história de Nancy ( Blake Lively), uma jovem médica que vai até uma ilha paradisíaca surfar em um lugar que era o preferido de sua mãe recém falecida. Ela acaba atacada por um tubarão enquanto surfava. Ferida, acaba se refugiando nos recifes de corais, mas seu tempo é curto e ela deve escapar o quanto antes.

Logo de cara, uma linha muito breve de diálogo me chamou atenção. Nancy pega uma carona com um nativo para dirigir-se à praia. No percurso, com uma bela paisagem da floresta, ela não tirava as mãos e os olhos do celular, e quando o fez para tirar uma foto do local, o nativo disse que aquela paisagem foi feita para os olhos, e não para o visor dos celulares. Nancy, um pouco sem graça,  se desculpou e disse que era Americana. Essa cena retrata perfeitamente o caminho que essa geração que passa mais tempos nos celulares e esquece de aproveitar as verdadeiras maravilhas da vida. Mas vamos ao filme.

Águas Rasas possui um visual excelente, principalmente pela sua escolha de cores quentes e fortes. Há uma cena específica em que há um ataque do tubarão, onde há um jogo muito bem executado de mistura de cores. O jogo de câmera também é bastante inventivo, pois o local onde Nancy fica refugiada é bastante limitado, forçando o diretor a ser bastante criativo nos ângulos e enquadramentos. Para isso, ele faz bastante uso dos travelings e a montagem ágil e dinâmica também ajudam bastante. Há algumas tomadas aéreas belíssimas no começo do filme, exaltando a grandiosidade da natureza perante o ser humano.

Outra escolha acertada do diretor foi não transformar o filme em um banho de sangue gratuito, já que ele vende-se muito pela criação de suspense. Apostando principalmente na nossa expectativa, o diretor brinca com ela em algumas resoluções de cena que funcionam muito bem para prender nossa atenção. Há cenas onde cheguei a prender a respiração de tão tensas e bem construídas. Outra cena em que a escolha da câmera é acertada é quando o tubarão vai atacar uma pessoa que poderia ter ajudado Nancy. Aqui, a escolha óbvia seria de mostrar o ataque, mas o diretor foca-se na reação da Nancy ao ver a pessoa sendo destroçada pelo tubarão. Ou seja, ele investe na capacidade de seu espectador de imaginar o quão horroroso deve ter sido a cena pela reação de outro personagem. Mais Hitchcock impossível.

Infelizmente, o filme peca justamente em seu final ao querer adicionar camadas à sua protagonista desnecessariamente. Não há problema em dar um background para seus personagens não parecem vazios demais. Mas Águas Rasas parece temer ser rotulado apenas por ser um “filme de tubarão” e acaba soando piegas em querer expor dramas baratos. E ainda acrescenta uma cena final após a resolução de seu conflito principal que em nada acrescenta à trama.

Apesar dos deslizes no seu final, o filme mostra-se bastante competente em seu principal objetivo: criar tensão e suspense com algumas ótimas sequências de ação. Não me surpreenderia se Jaume Collet-Serra for indicado à prêmios no final do ano, pois sem ele Águas Rasas não passaria de mais um filme entre tantos que estão em cartaz. Confira!

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