Sing Street (2016)- Crítica

O Punk rock foi um estilo e movimento musical  surgido na segunda metade dos anos 70, encabeçado principalmente por bandas como Ramones, Sex Pistols e The Clash. Os jovens se identificaram rapidamente com a agressividade sonora e o estilo rebelde que o movimento evocava. A partir dos anos 80, novas tendências na cultura e na música ganharam mais atenção e assim o punk também sofreu com isso. Surgia então o pós-punk, que primava por uma certa melancolia em suas músicas e letras, e com um visual mais carregado em preto e cores mais sombrias. Os principais grupos desse período foram: Joy Division, New Order, The Smisth, The Cure, entre outras. e É nesse contexto que Sing Street ambienta-se. A história gira em torno de Conor, um jovem que acabara de mudar de colégio, e decide formar uma banda de rock para ganhar o coração de uma menina.

De cara, a dinâmica do elenco (em sua maioria jovem) lembra em alguns momentos os filmes do Wes Anderson, principalmente em Moonrise Kingdom. Há um estranhamento cômico nas relações de seus personagens, que acaba funcionando muito bem. O simples roteiro flui bem durante todo o filme, mas peca em focar demais no Conor e na Raphina, que é a menina que ele quer impressionar, e esquece um pouco dos outros integrantes da banda, que pareciam ter potencial para ganhar o carisma do público caso tivessem mais destaque. A existência da banda permite uma série de homenagens à grupos como Duran Duran, The Cure, David Bowie, A-Ha e diversas outras bandas da época.

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A fotografia é um dos pontos altos do filme, pois conta com belas paisagens de Dublin, que é onde o filme situa-se. Além da direção leve e eficiente, a montagem também é muito boa, ditando um ritmo ágil e não deixando o espectador perder o interesse na história. A trilha sonora é repleta de sucessos da década de 80, mas a forma como ela é usada merece elogios, pois na grande maioria faz-se uso da trilha diegética, que é quando ela está inserida na própria narrativa e não colocada apenas por escolhas de pós produção.Sem grandes pretensões narrativas, Sing Street aposta no carisma de seus protagonistas para despertar os diversos sentimentos no público. Mesmo sem surpresas na sua trama, o filme vale pela nostalgia e diversão, assim como pelas referências (sim, há referências para amantes da música também, não apenas de cultura pop).

Mas, apesar de anestesiar o espectador com músicas maravilhosas e belos enquadramentos, há uma espécie de pessimismo e soturnidade que permeia seus personagens: Conor presencia a separação de seus pais, seu irmão largou a faculdade e culpa os outros pelo seu fracasso e Raphina sonha em ir para Londres. Todo esse clima combina perfeitamente com o pós-punk por fazer o retrato de uma geração que chegou tarde não pôde viver o “auge” do movimento. O retrato de uma geração que, a sua maneira, busca uma identidade.

3.5 Stars (3.5 / 5)

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