Dr. Feelgood- O canto do cisne do Hard 80’s.

Se há uma band que fez sucesso em absolutamente toda a década de 80 foi o Mötley Crüe. Do seu debut com Too Fast For Love (1981) até Dr. Feelgood (1989), o grupo tornou-se um dos mais emblemáticos do hard rock de Los Angeles. Suas roupas, seu som e suas letras eram tão cravadas naquele espírito dos anos 80, que quando a década seguinte veio, a banda foi uma das que mais sofreram com as mudanças musicais e novos estilos que surgiram. Mas em seu último álbum daquela década, a banda não poderia estar em melhor forma: Dr. Feelgood é de longe o melhor trabalho do Mötley Crüe.

Entretanto, o momento era tenso. Os integrantes consumiam drogas como se não houvesse amanhã, e tiveram até que fazer um trabalho de desintoxicação para voltarem com a banda. E para o álbum, procuraram ninguém menos que Bob Rock para a produção, que já havia trabalhado na época com Bon Jovi, Aerosmith e Survivor.

Após a introdução com T.N.T, a grooveda faixa título abre o disco em alta qualidade e volume. Slice of Your Pie começa numa levada meio country, mas logo cai para um hard bem pesado e cadenciado. Rattlesnake Shake é mais acelerada e conta com um ótimo trabalho de guitarra de Mick Mars Kickstar My Heart tornou-se um grande clássico que nunca deixou de ser tocada nos shows do grupo. Quando aos músicos da banda, Mick é um grande guitarrista! Não querendo ser narcisista, ele tem um talento para compor riffs impressionante. Nikki Six faz muito bem a sua parte, enquanto Tommy Lee brilha com uma pegada  na bateria. Vince Neil sempre foi um vocalista fraco, mas seu carisma e a força das músicas compensam muito bem a falta de qualidade vocal dele.

Talvez o único ponto fraco do disco seja Without You, que é chata e enjoativa. A festeira Same Ol’ Situation esquenta novamente o clima e também é outra das mais pedidas nos shows. Don’t Go Away Mad sim é uma bela balada que mostra que a banda não compõe apenas músicas rápidas. É notável também uma evolução nas composições, o que mostra que a sobriedade fez bem aos integrantes. A sonoridade também mudou, ficando mais seca, e até mais séria que antes, talvez já apontando o caminho que o hard rock tomaria nos anos posteriores.

Mesmo vendendo milhões de cópias e com a banda atingindo seu ápice, o Mötley Crüe passaria por uma crise no início dos anos 90, acarretando com a saída de Vince Neil, que é assunto para um outro post. O que realmente fica para a história é essa década perfeita que a banda fez, culminando em um dos melhores discos de hard rock de todos os tempos.

5 Stars (5 / 5)

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