Hardcore: Missão Extrema (2016)- Crítica

Aaaah… Filmes baseados em games… Desnecessário dizer quantas bombas já foram feitas, e que é uma das maiores maldições de Hollywood. Os motivos pelos quais a grande maioria desses filmes dão tão errado são discutidos intensamente cada vez que uma nova adaptação chega aos cinemas. Mas eis que um filme surge para mostrar para as grandes produtoras como filmes baseados em games podem dar certo. Mas há um detalhe: Hardcore: Missão Extrema não tem sua origem em nenhum título de videogame, mas mesmo assim pode ser considerado como um divisor de águas nesse quesito. Veremos o motivo.

O filme conta a história de Henry, uma espécie de ciborgue que acabou de ser ressuscitado por sua esposa e imediatamente deve escapar das mãos de um psicopata com poderes telecinéticos. Logo de cara, temos um aspecto que chama a atenção: o filme é todo em 1º pessoa e apenas no ponto de vista do Henry. Apesar desse recurso não ser nem de longe original, sua escolha não possui nenhuma justificativa na narrativa, como em outros filmes, e sim pela simples escolha do diretor.

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Mas Hardcore: Missão Extrema não difere-se de outros títulos apenas na escolha da câmera, mas sim também no seu roteiro, que se aproxima dos games no tom absurdo que a trama toma em alguns momentos. Aliás, esse é outro ponto positivo do longa: ele não teme o absurdo e o usa a favor da narrativa. Quem joga regularmente games em 1º pessoa vai perceber como várias cenas parecem ter saído de cutscenes de games como Fay Cry, Call of Duty ou Crysis, já quele assume uma estrutura de blocos, como se fossem as fases dos games.

Tecnicamente, o filme satisfaz. Já que estamos falando de um filme com muitas cenas de ação e tiroteio, tudo isso em 1º pessoa, a direção segura faz com que o longa nunca perca o ritmo, mesmo em seus momentos mais calmos. A bela fotografia usa de cores vivas e variadas, o que ajuda na diferenciação dos vários cenários onde o filme se passa. E a trilha sonora acerta nas escolhas das músicas, torando o filme uma espécie de videoclipe de uma hora e meia. Só para lembrar, o diretor Ilya Naishuller já havia experimentado esse formato antes no clipe ‘Badmotherfucker, da banda Biting Elbows.

Considerado por mim como um dos melhores filmes de 2016 até agora, Hardcore ensina às grandes produtoras que para começarem a acertar nos filmes baseados em games é preciso primeiramente uma coisa apenas: respeitar a linguagem da obra original. Roteiro e trama podem ser alterados, mas a linguagem e o espírito devem permanecer lá, intactos.

5 Stars (5 / 5)

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