The Get Down- Uma das melhores estreias de 2016

Após seu frenético primeiro episódio (leia minha crítica sobre ele aqui), ficou claro que o maior desafio da série seria buscar uma identidade própria no que se refere à linguagem, ritmo e estética. Pois todos os meses estreiam dezenas de séries com a mesma pegada, o mesmo tom e até temáticas. E a maioria é cancelada depois do seu primeiro ano. Em meio à tanta mesmice, quem arrisca e tenta algo diferente acaba se destacando. E The Get Down conseguiu em apenas seus seis primeiros episódios encontrar sua própria ‘batida’.

A série do  Baz Luhrmann  traz influências de The Wire na forma de tratar o lugar onde ela ambienta-se. Assim como na série do David Simon, o personagem principal é justamente o bairro do bronx. Partindo dessa ideia, The Get Down distribui seus personagens em arcos distintos, mas sempre transitando próximos uns dos outros. Algo que The Wire fez magistralmente, e em Game Of Thrones nem tanto. A música, que é o principal elemento da série, é a alavanca motivacional dos seus personagens. A grande maioria deles só faz o que faz por conta de sua paixão pela música, mesmo usando-a para conseguir seus objetivos. Tanto é verdade que em alguns momentos, seus personagens são testados, pois o roteiro os leva á algumas situações onde eles têm que escolher entre a música e outro interesse. O amor pela música é uma característica quase inerente em seus personagens.

Se The Get Down não se propõe a contar a  origem exata do hip-hop, ela o trata de uma forma sagrada, como algo totalmente espiritual, criando situações onde um elemento suspense em volta do arco do Shaolin e seu grupo. essa abordagem traz um tom de novidade, além de render algumas cenas hilárias.A série mergulha fundo na década de 70 como poucas vezes foi visto. Preocupada em explorar ao máximo os costumes,o modo de vida e a cultura da época, ela usa de acontecimentos reais na sua narrativa assim como fez brilhantemente Mad Men.

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Se hoje ouvimos as músicas disco dos anos 70 e enxergamos alegria, e até certa inocência. Aos olhos religiosos do Pastor Ramon Cruz (Giancarlo Esposito), ela é vista como perigosa e pecaminosa. Aliás, algo que a série faz muito bem é anestesiar seu espectador com todas as músicas dançantes e cores vibrantes, para que o mesmo não perceba de cara o quão triste são aquelas histórias que estão sendo retratadas. Vivendo em meio à violência, crime, más condições de vida e uma enorme desigualdade social e preconceito sexual. Há até um elemento de metalinguagem, quando o personagem Cadillac explica que embaixo de uma alma que canta músicas alegres pode haver muita tristeza escondida. Isso pode ser uma clara referência ao Marvin Gaye, que foi um dos maiores nomes do funk/soul dos anos 70, mas que a maioria de suas letras eram sobre temas trágicos e tristes, além de sua vida ter sido muito difícil, já que ele foi morto pelo próprio pai por uma arma que ele mesmo deu pra ele.

Mesmo com tantas qualidades, The Get Down não está isenta de erros. A trama da eleição para prefeito mostra-se deslocada e mal desenvolvida. E como falei no texto sobre o primeiro episódio, algumas relações são apressadas demais, mas nada que afete a experiência por completo. Outro fator ousado é a mistura de gêneros que a série usa para contar sua história, já que ao longo da temporada vemos drama, comédia, musical e até toques de suspense e de documentário. Entretanto, parece ter sido nessa amálgama de elementos diferentes que a série encontrou sua forma narrativa.

Apesar de terminar um pouco ‘feel good’ demais para o tom iminentemente trágico que a série sugere. Baz Luhrmann não foge dos temas obrigatórios que uma produção ambientada nesse contexto deve abordar. se na sua concepção The Get Down pode ser considerada de nicho, ela possui frescor e acessibilidade suficientes para arrebatar todos os públicos.

5 Stars (5 / 5)

E pra terminar

Uma rima vou tentar

Pois não consigo resistir

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Será que é pedir demais?

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