The Get Down- O Melhor episódio piloto dos últimos anos

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Séries de época são sempre complicadas de se produzir. Além de serem caras, por conta da reconstrução da época, parecem não atrair completamente o grande público. Claro que há exceções, como Game Of Thrones, que vende-se por seus dragões, lutas de espadas e nudez gratuita. Mas algumas deram muito certo mesmo não explodindo de audiência, como Mad Men, Downton Abbey, Boardwalk Empire e Penny Dreadful. Porém, o que há de mais positivo é a possibilidade da reimaginação de uma determinada época com o objetivo de fazer o telespectador imergir na narrativa. E isso The Get Down faz com maestria.

A ousada nova série original da Netflix criada pelo Baz Luhrmann (Romeu e Julieta, O Grande Gatsby) ambienta-se no bairro do bronx no ano de 1977, em plena explosão da disco music e do hip-hop. Logo de cara, há um paralelo interessante com a série Vinyl, recentemente cancelada pela HBO. Nela, em uma das subtramas víamos como tudo parecia se iniciar na disco music, ainda no ano de 1973. Já na série da Netflix, ela se passa no auge do movimento. Apesar da série não ser centrada em um personagem apenas, fica nítido que o personagem do Ezekiel, um jovem poeta, é o protagonista. Mas ao ponto que o episódio vai passando, percebe-se uma certa influência de The Wire, pois a série dá voz à diversos personagens, e os usa para contar a história como um todo. Outro fator que fica claro no piloto é que The Get Down pretende ser muito mais musical do que dramática ou aventuresca. Isso pode afastar algumas pessoas que procuravam algo com mais aspectos narrativos que musicais, ou até mesmo que não gosta ou não está interessado na cena do hip-hop e disco music.

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A montagem é bastante enérgica e faz uma espécie de colagem com muitas cenas de músicas e cenas normais com diálogos. Outra característica marcante é que até mesmo em cenas que a música não está presente de fato, há uma cadência evocada pela soma de um jogo de câmera inventivo com o entrosamento dos atores, que é muito bom. A fotografia também se destaca, com alguns planos lindíssimo e um tom de cores bastante forte e colorido. Os cenários são suntuosos, apostando bastante em espaços abertos. A trilha sonora dispensa comentários, mas vale destacar que ela aparece com bastante frequência diegeticamente.

Durante o piloto cria-se um elemento misterioso e até místico a respeito do personagem Shaolin Fantastic. E ao passo que ele passa a integrar as ações diretamente é quando conhecemos a origem do nome da série: as festas secretas embaladas por hip-hop em lugares abandonados no bronx. Combinando com a ambientação mais suja e áspera, nessas festas o som é mais pesado, menos alegre e mais cadenciado. O único ponto baixo do primeiro episódio é a relação apressada do Shaolin com Ezekiel e sua turma, que em apenas um episódio se conhecem e o terminam com ambições tão altas que não era possível esses laços serem construídos em tão pouco tempo.

Apesar de tantas qualidades, The Get Down pisa em um terreno perigoso apostando em uma narrativa não convencional. Pois as histórias que ela está disposta a contar não estão necessariamente na ação, e sim nas músicas, em cada muro pichado, em cada parede destruída e em cada sonho que os personagens buscam alcançar. Tomara que a Netflix não desista da série e mantenha a vontade de fazer algo de qualidade independente da audiência. Para quem gosta da época não pode perder, está tudo lá: as cores, as roupas, os dilemas, as músicas e claro, o espírito.

5 Stars (5 / 5)

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