Dois Caras Legais- Crítica

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Minha relação com o gênero da comédia sempre foi muito irregular. Ainda pré-adolescente costumava assistir à muitos filmes como American Pie, Todo Mundo Em Pânico, entre outros. Nos últimos anos, após adquirir um apetite mais cinéfilo, passei a desprezar a comédia como gênero, com exceção de filmes dirigidos por Woody Alen, Billy Walder e os irmãos Coen. Porém, nos últimos meses, venho corrigindo esse preconceito e passei a valorizá-la mais. Mesmo assim, as comédias que mais me interessam são sempre aquelas  que flertam com outros gêneros. Há aquelas que flertam com musicais, como This Is Spinal Tap e Escola de Rock; a intersecção com o suspense também renderam ótimos filmes; a Marvel mistura muito bem a comédia com a ação; e temos o gênero policial, como Fargo, e no filme em questão: Dois Caras Legais.

O longe dirigido pelo Shane Black é ambientado no final dos anos 70, e narra a história de dois detetives que investigam o sequestro da filha de uma funcionária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que teria supostamente gravado um filme pornô para um produtor. Se em  Beijos e Tiros (2006), o diretor flertava de forma interessante com o gênero Noir, nesse longa ele aposta menos na história e mais no tom cômico de seus personagens. A trama  bastante básica é intencional  para que várias esquetes de comédia sejam costuradas para compor a narrativa.  Apropriando-se ao máximo de situações absurdas para construir seu humor, Dois Caras Legais acerta justamente  em personificar os clichês dos gêneros em que transita (policial e comédia) nos personagens do Russell Crowe e Ryan Gosling, respectivamente.

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Em um filme onde a comédia é o principal objetivo e temos uma dupla de protagonistas, uma química entre eles é necessária. E em Dois Caras Legais ela existe, mas não com tanta eficiência como em outros “Buddy Movies”. Russell Crowe não compromete fazendo o policial mais sério.Já Ryan Gosling faz o mais galhofeiro, que se em muitas cenas o humor fica um pouco pastelão demais, ao menos o personagem tem seus momentos, mesmo abusando de muletas básicas da comédia, como o grito histérico que o ele dá constantemente.

Em termos técnicos, o filme faz bem seu trabalho. A direção é segura, mas em nenhum momento passa do eficiente. A trilha sonora é composta de boas músicas, todas da época. A direção de arte é coerente com a época, apesar de em alguns momentos o filme parecer pouco colorido. Além disso, Shane Black não mergulha fundo nos costumes e no clima da época, como fez bem Paul Thomas Anderson em Vício Inerente, e David O. Russell em Trapaça. O longa poderia muito bem ser ambientado em qualquer década posterior aos anos 70.

Mesmo perdendo a oportunidade de adentrar no mundo da pornografia da época  e enriquecer sua obra com um tema a ser abordado, pois o filme usa isso como mero pretexto para o desenrolar da trama, Dois Caras Legais é um filme divertido, dinâmico e até estiloso. Ao menos ele não exita em mostrar nudez e um pouco de gore quando necessário. Se gosta do gênero, há algumas gargalhadas garantidas.

3.5 Stars (3.5 / 5)

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