Blues Pills- A Lady In Gold- Crítica

Não são poucos o que dizem que os anos 60 foram os melhores para o rock. Beatles, Stones e Who no auge; Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison tornaram-se ídolos dos jovens na segunda metade da década; o verão do amor em São Francisco mudando a forma de se pensar música e arte. E é apostando justamente nesse período- mais precisamente no fim dos anos 60- que o Blues Pills vem colecionando elogios da crítica e do público.

Composta por Elin Larson nos vocais, Dorian Sorriaux na guitarra, Zach Anderson no baixo e  André Kvarnström na bateria, seu álbum de estreia auto intitulado foi lançado em 2014, e dois anos depois, é lançado Lady In Gold, que carrega a difícil missão de manter o alto nível de seu antecessor. Jon Bon Jovi disse nos anos 80: “Você tem a sua vida inteira pra lançar seu primeiro trabalho, mas apenas 2 ou 3 anos até sua sequência”. Apesar da pressão pela efetivação, seu segundo disco mostra-se tão bom quanto a estreia do grupo.

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Capa do disco ‘Lady In Gold’

Uma escolha interessante que a banda fez foi não tentar repetir a fórmula de seu primeiro trabalho e sim expandir e experimentar dentro do seu estilo, mas sem descaracteriza-lo. Enquanto seu primeiro disco era  pólvora pura, Lady In Gold aposta na elegância e na capacidade de conquistar o ouvinte com o álbum como um todo. Esse trecho do livro ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, onde Brás Cubas questiona o próprio leitor sobre a preferência de uma leitura linear exemplifica bem a diferença entre o primeiro e segundo trabalho do Blues Pills: “tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram,gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…”

Com um leque de influências como Jefferson Airplane, Grateful Dead, Blue Cheer, The Small Faces e Marie Queenie Lyons, O Blues Pills mostra muita maturidade e consciência do tipo de música que quer praticar. A vocalista Elin Larson  faz um trabalho mais contido do que no álbum anterior, mas coerente com a proposta das novas composições. Os outros músicos também fazem bem seus trabalhos, apesar de não aparecerem destaques individuais.

Trazendo um tracklist consistente, com apenas a música Rejection abaixo das demais, o play abre com as faixas Lady in Gold, Little Boy Preacher e Burned Out  trazendo muito uso de piano e arranjos mais elaborados. Com destaque para a segunda música, que possui ótimas passagens. A essa altura, fica nítido que o Soul e o Gospel ganharam muito mais destaque aqui do que no álbum anterior. A bela e introspectiva I Felt A Change, se fosse lançada 50 anos atrás pela gravadora motown faria um sucesso enorme, devido ao seu apelo melancólico e com Elin soltando a voz. A swingada e mais acelerada Bad Talkers promete ser um grande momento nos showsassim como o final  do disco com  Elements and Things, onde a banda abraça de vez a aura psicodélica.

Com a afirmação do público e da crítica de Lady In Gold, o Blues Pills está pronto para dar continuidade à sua ainda recente e promissora carreira, e já pode ser considerado como um dos melhores lançamentos do segundo semestre de 2016. Se você ainda não conhece a banda, ouça primeiro o álbum auto-intitulado, pois esse é para os já iniciados.

4.5 Stars (4.5 / 5)

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