House Of Cards 1º Temporada- Crítica

6359411503154341152070540790_house-of-cards

Nada no nosso país foi tão intensamente discutido nos últimos meses como política. Aproveitando-me do momento deveras propício, resolvi começar a ver House Of Cards. Tardiamente, eu sei, já que ela constava na minha ‘watch list’ há mais de um ano. E o resultado não poderia ser outro: que série sensacional!

Toda contada pelo ponto de vista do Francis Underwood (Kevin Spacey), que conversa com o espectador pela quebra da quarta parede ( falarei melhor a respeito mais adiante),  a série nos coloca quase instantaneamente em uma relação de cumplicidade com seu protagonista. Não buscando julgá-lo nem mesmo perante atos moralmente condenáveis, série centraliza seu universo nas ações de Frank, fazendo parecer que o mesmo é o centro das atenções em meio a tantos políticos dissimulados, mesmo que ele não exerça o cargo principal da Casa Branca: a presidência dos Estados Unidos. Cada vez que um personagem interage com outro, é facilmente imaginável que aquela história poderia ser muito bem contada pelo ponto de vista de qualquer outro personagem presente. E isso é um mérito do roteiro: a história de Frank e Claire não são as únicas interessantes naquele meio, há um senso de pluralidade narrativa promissor ali, mesmo que não tenha sido explorado ao máximo, ao menos na primeira temporada.

housecards9

A abordagem da política em House of Cards é de uma certa forma glamourizada e estilizada, diferente da política suja e realista retratada em The Wire. Todos são habilidosos nas suas funções, cheios de recursos e sempre têm uma carta na manga para dar uma reviravolta quando preciso. Frank Underwood, por exemplo, é uma rocha: Não se abate, não comete erros e manipula qualquer pessoa (até o presidente). Isso acaba desumanizando um pouco o personagem, já que seu tom acaba sendo quase o mesmo durante todo o primeiro ano da série.

Mesmo tendo a política como pano de fundo e ambiente onde a trama ocorre, House of Cards possui algumas subtramas interessantíssimas, encabeçadas por seus personagens coadjuvantes: Peter Russo e sua luta ferrenha contra o álcool; a dificuldade no trabalho jornalístico da Zoe que se vê obrigada a fazer coisas que não queria para conseguir informação; a diferença entre paixão/tesão e amor verdadeiro que a Claire tem que lidar, juntamente com sua relação com Frank e Adam. Todas muito bem construídas e entrelaçadas com a trama principal.

Já que a produção e  direção dos dois primeiros episódios é do David Fincher, temos aqui uma direção incrivelmente precisa na escolha dos enquadramentos, com poucos movimentos de câmera e com uma paleta de cores bastante fria e acinzentada, que claramente serve para mostrar que nenhum dos personagens é bom ou mal, todos possuem tons de cinza (sem relação com aquele filme horroroso).

maxresdefault

Frank faz uso de digressões diversas vezes por episódio e isso já se tornou uma marca registrada da série. Durante essas quebras da quarta parede, ele nos explica seus planos, seus pensamentos e o que ele pensa sobre os outros personagens. O problema reside no didatismo que isso acaba gerando, pois muitas vezes aquilo que ele tem pra nos contar  pode muito bem ser resolvido no diálogo, e às vezes isso acontece, mesmo que seja para repetir aquilo que já foi dito por ele. Mas é um recurso que virou característica e sabemos que continuará até o fim da série.

Apesar desses pequenos deslizes, House Of Cards entra uma primeira temporada muito coesa e cheia de qualidades, e fazem minhas expectativas para seu segundo ano aumentarem bastante.Espero poder compartilhar aqui minhas experiências com o sagaz Frank Underwood.

4.5 Stars (4.5 / 5)

Curta nossa página e deixe sua opinião sobre a série nos comentários.

Comentários no Facebook